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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pão, manteiga e queijo (publicando um post atrasado)

Sim, a Noruega é o país do pão gostoso... Todos que vem de fora tem a atenção voltada para a qualidade dos pães que se consome por aqui. Norueguês em geral aprecia o pão integral, seja de trigo, centeio, espelta ou outros grãos... Pães brancos também são consumidos, mas tem funções especiais. Por exemplo, com camarões pré-cozidos que se compra nos barcos no píer, só pão branco, que eles chamam de loff. Os pães que encontramos pra comprar nos supermercados são semi-caseiros, inteiros, podendo ser fatiados no mercado, em máquinas especiais, ou trazidos inteiros para casa. É possível encontrar pão de forma industrializado tipo os Pullman da vida, mas pra que? Pros que sentem falta, há pãezinhos franceses e baguettes congelados ou semi-prontos que você acaba de assar em casa, mas nos lares noruegueses eles não são muito populares.

Os noruegueses comem mais pão que outros povos europeus, até os suecos reclamam... Pão de manhã, no almoço e antes de dormir... Mas é fácil se adaptar, pra quem gosta de pão.

Nada melhor que pão feito em casa, quentinho e com manteiga derretendo. Bem, por essas bandas você não precisa ser mestre padeiro pra alcançar esse prazer em casa. Nos mercados é possível comprar misturas de farinha prontinhas. Só é preciso adicionar o fermento seco (fermento biológico, aquele granuladinho) e água, seguir as instruções, e PUF! Pão quentinho em casa. Até pouco tempo eu ainda não havia comprado nenhuma mistura pronta, estava fazendo tudo do começo. Até que um dia deu uma vontade de comer boller, uns pãezinhos doces com sabor de cardamomo que vende en tudo que é fast café (Seven Elevens da vida) e posto de gasolina. Podem ter passas, chocolate ou serem purinhos. Quentinhos são tudo de bom. Então comprei um pacote de mix pra boller no mercado e fiz em casa. Tão fácil quanto 1-2-3... Lars adorou a idéia.

Essa semana estou de licensa médica porque tirei a coluna do lugar, e fiquei em casa todos esses dias. Já fazia um tempo que eu tinha achado uma coluna do LA Times, de um cara que cozinha em casa. Acho que ele é fazendeiro, pois tudo o que sobra ele dá pros porcos! E ele publicou uma receita de ricota caseira. Fazia séculos que eu queria fazer queijo branco aqui, já que o leite também é de excelente qualidade. Mas e pra achar o tal coalho líquido, ou em pó? Impossível, não tem... E pra fazer a ricota caseira, também precisaria de outro ingrediente prontamente achado em mercados nos EUA e Inglaterra, mas não aqui: buttermilk. É o soro que sobra quando se faz manteiga. E, depois de dias de pesquisa na net, descobri, no próprio site da Tine (o maior produtor de laticínio daqui, e creio que meio estatal), que é possível fazer manteiga em casa, a partir de creme de leite fresco ou creme azedo (sour cream), que eles chamam de rømme aqui.

Quem já errou a mão fazendo chantilly e passando do ponto? É por aí... Gorduroso, melequento, mas funciona. Pus 1 litro de creme azedo na batedeira e bati, bati, bati, primeiro em velocidade baixa, depois fui aumentando. Num certo ponto, o troço quebrou, ficou tipo talhado, com um líquido esbranquiçado e uns pedaços amarelos. O próximo passo é separar a parte amarela e comprimir, apertar bem, com as mãos, tirando a maior parte de líquido possível. O líquido é o tal buttermilk. Quanto mais você conseguir apertar e tirar líquido da manteiga, mais ela dura. Se não usar todo o buttermilk, você pode congelar, como eu fiz...

A minha manteiga ficou assim... A foto tá péssima porque era noite, e a luz da cozinha é fria e as bancadas são negras. O chefinho é meu timer, e sempre que ele aparece na foto, pode apostar que foi o Lars o autor da foto!

Acrescentamos sal grosso moído na hora, e pronta pra usar. (Nota póstuma - a manteiga durou 2 semanas. Eu usei basicamente pra cozinhar, e nos últimos dias ela tava com um leve aroma de queijo, mas tava no finzinho mesmo).

Nhoc!

E daí foi fazer a tal ricotta. Segui a receita à risca, mas confesso, apesar de ter ficado com um sabor incrível, a textura ficou esquisita, um tanto elástica. A ricota não dura muito, deve ser usada quando feita. Mas, um litro de leite rendeu nadica de nada. Usei 1 litro de leite semi-desnatado (1,5% de gordura) orgânico da marca Coop-ängla. Rendeu uns 100 gramas de queijo...

A cara da ricota, ainda na panela...


Nhoc outra vez!


O pão no qual essas deliciosas iguarias repousam (ou esperam pra ser devoradas!) é o pão de centeio estilo Outback do blog da Claudia (claro!). Além dele, também apareceram na festa uns boller (ponho boller porque já é no plural em noruguês, o singular seria bolle). Comprei o mix da marca Regal, é fácil de usar, e em outras ocasiões eu acrescentei confeito de chocolate (tipo Confetti), ou passas, ou cranberries secas...


Teve mais pão, uns deram certo, outros não. Os com farinha integral são mais difíceis de acertar, demoram mais a crescer, mas a gente vai aprendendo. Todo dia de folga eu faço pão...

Em breve um post sobre pasta e carne de alce!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um post para a Luciana Håland

Provando que eu desastrada, um pouco relaxada, mas nunca mal-educada... Num comentário no outro blog ela perguntou sobre espuminha de leite nos cafés e chais. Então lá vai...

Começa pelo aparelhinho pra fazer a espuma de leite, reproduzindo a que as máquinas de café espresso fazem usando vapor. Mas não precisa tanto... O meu mequetrefe aparelhinho eu adquiri em Tromsø, e tem até estampa de vaca. O único contra é que o bicho é movido a pilhas. Mas eu uso das recarregáveis, menos mal.

Pra quem é mais abonado, e vive aqui na Noruega (ou na Escandinávia), existe um da OBHNordica que é um sonho... Mas o meu mequetrefe custou 149 coroas, então valeu!

Pra fazer a espuminha, você aquece um pouco de leite (não tentei com o leite frio ainda...) no microondas ou no fogão mesmo. Coloque só um tiquinho de leite num copo ou caneca altos, pois o leite sobe e pode acabar transbordando. Fiz até um filminho sobre como o troço funciona, mas a anta aqui não tá conseguindo subir pro Youtube nem pro Blogger, então deixa pra lá...

Depois é só colocar a espuminha na xícara ou caneca de café ou chai, e pronto!



Quanto aos chai, chai é um chá com especiarias, típico da Índia. Os indianos herdaram dos ingleses o hábito de adicionar leite ao chá, e no fim eles fazem chá no leite... Você (Lu) acha fácil em supermercados aí, eu acredito. Eu prefiro comprar o da Yogi, orgânico, que eu compro no Rema 1000, e acredite, se eu acho aqui no fim do mundo, você com certeza acha por aí. Quando não tem Yogi, compro o da Twinings mesmo, que não é orgânico.

terça-feira, 30 de março de 2010

Aprontando pra Páscoa

Amanhã vamos pro chalé, ficamos lá até Domingo de Páscoa. A sogra já está lá desde Domingo cedinho. Faz sol, e a previsão é de tempo bom! Então será tempo de churrasco... Acordei hoje inspiradérrima e já me meti logo cedo na cozinha.

Comecei com o pão, o falso brioche da Cláudia. Hoje ele ficou especialmente leve, porque misturei o fermento com a água morna, sal, mel e açúcar e esperei uns minutinhos antes de adicionar os ovos e a farinha. O bicho cresceu horrores. Olha o antes e depois dele... Ah, e ficou mega especial porque ficou com um defeitinho de fabricação, mas não tem problema, ele veio ao mundo pra nos fazer feliz de qualquer jeito! Deu pra ver que ele cresceu tanto que caiu pra fora da forma e assou do mesmo jeito?

Enquanto o bicho crescia, fui logo fazendo um bolo de maçã com cenoura que é uma delícia. A primeira vez que fiz, comemos em um dia e meio! Para o de hoje, eu não tinha cranberries secas (oxicocos em português), então usei passas brancas.



Bolo de maçã e cenoura

1 xícara de maçãs raladas
1 xicara de cenouras raladas
2 xícaras de açúcar (eu uso 1 de açúcar mascavo e meia de açúcar refinado, depende do gosto)
3 ovos
1 xícara de nozes picadas (use as de sua preferência, sendo pecãs extremamente recomendáveis. Eu usei amêndoas)
1 xícara da fruta seca de sua preferência (oxicocos, passas, damascos, etc)
1 xícara de óleo
2 colheres de chá deextrato de baunilha
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de cardamomo em pó
1 colher de chá de sal

Modo de preparo
Não poderia ser mais fácil! Misture de uma vez só todos os ingredientes numa tigela grande. Mexa bem até que tudo esteja bem incorporado.

Asse em forma untada com óleo em forno a 180 graus por 25 a 35 minutos, ou até que um palito saia seco. Espere esfriar totalmente antes de desenformar.

Para comer junto com um cafezinho ou uma bela xícara de chá.

E enquanto o bolo tava assando, enrolei o pão e botei pra crescer de novo. Enquanto isso fomos às compras.

Na volta, botei o pão pra assar e preparei o almojantar. Domingo Lars fez uma bela perna de cordeiro assada. Sobrou um monte, e hoje resolvi fazer um tagliatelli com ragú de cordeiro. A pasta era industrializada, claro, mas serviu. Ragú é a resposta italiana pra sobra de carnes. Fez um assado, sobrou muito? Ragú. Pode ser de vaca, carneiro, cabrito, pato, qualquer outra carne de caça. Só não pode ser carne muito delicada porque o cozimento é longo.

Ragú de cordeiro
300 g de sobra de carne de cordeiro, picada bem miudinha (Lars fez o serviço!)
1 cebola média picada
1 talo de salsão picado
1/4 de um alho porró picado
2 cenouras médias raladas
1/2 xícara de vinho tinto
1/2 xícara de água
1 lata de tomates pelados
1 pitada de açúcar
2 folhas de louro
2 raminhos de alecrim
1 pau de canela
folhas de salsão
sal grosso e pimenta do reino
Pimenta calabresa em flocos

Refogue em azeite a cebola, salsão, alho porró e cenoura até que estejam douradinhos. Acrescente a carne, refogue um pouco mais. Adicione o vinho tinto, mexa bem e abaixe o fogo. Deixe ferver e acrescente os tomates pelados, esmagados com as mãos mesmo, mais o suco da lata e a água. Jogue então a pitada de açúcar. Quando começar a ferver, acrescente todas as ervas e a canela. Deixe que ferva em fogo bem baixo, por aproximadamente 40 minutos. Por último, tempere com sal grosso e pimenta do reino moída na hora. Retire as folhas de louro e salsão, os ramos de alecrim e a canela.

Pode ser servido com pasta, ou mesmo com pão.

Detalhe da segunda foto - nossa nova mesa da cozinha. Ela é alta como uma mesa de bar...

Enquanto o ragú fervia, o pão ficou pronto, e então fui fazer uns bolinhos bonitinhos pra agradar a sogra, ela adora as coisas diferentes que eu faço. Comprei até umas florzinhas de açúcar no mercado pr adecorá-los. Eu sou a própria Babette da família Hareide! Tava com uma vontade ardente de algo sabor abacaxi com coco. Peguei uma receitinha fácil na internet, que usava abacaxi em lata, já que o abacaxi que se encontra por aqui vem da Costa Rica, ou qualquer outro lugar do Caribe. Não tem gosto de nada porque viajam verdes...

Ficaram lindinhos os bolinhos. Só metade com florzinha, porque no pacotinho só vinham 6 e eu achei que eram 12.




Pra finalizar esse dia de expediente - porque foi como se fosse um dia de trabalho, rendeu! - fizemos uma espéciede kaftas pra churrasquear no chalé. Espécie, porque de kafta só tinham o formato. Eram praser linguiça, mas hoje não tinha tripa no mercado, então improvisamos. Da última vez, fizemos hambúrguer (semana retrasada, acho) e ficaram divinos!

Compramos carne de porco levemente defumada e moemos em casa. Misturamos com carne de alce já moída que tínhamos, e temperamos com um dente de alho, uma cebola pequena, meia pimenta dedo-de-moça (tem hífen co´essa gramática nova?), alecrim e orégano frescos, ervas secas e pimenta calabresa mais pimenta do reino branca moída. O resultado só saberemos depois de comer. Mas que o hambúrguer da semana passada (retrasada?) ficou bom, isso ficou!

O hambúrguer da semana retrasada...




Alguém nota que Lars foi o fotógrafo dessas duas últimas obras de arte? O chefinho é o meu timer, e embaixo dele o apoio de travessa de alce que ele adora... Esse meu marido...

Feliz Páscoa! God Påske!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Tava devendo...

os biscoitinhos natalinos que fiz pras crianças. E nossa, o Natal parece ter ficado tão longe...


A idéia dos biscoitos Hello Kitty pra Sofia foi tirada daqui do The Cookie Shop. Claro que osdela ficaram mais bonitos... Mas comprei os cortadores de biscoito no Brasil pela Internet e minha mãe me mandou. Comprei a massa de biscoito de gengibre pronta no mercado, cortei com o cortador, depois pincelei xarope de glucose (Karo no Brasil, syrup aqui), e coloquei marzipã - também comprado pronto, aberto feito massa e cortado com o mesmo cortador) por cima. Os olhos e bigodes foram feitos com canetas de tinta comestível que também comprei pela Internet, numa loja de Oslo. O nariz e laços foram feitos com confeitos comprados prontos...

Pro Erik não ficar com ciúmes, pra ele fizemos cachorrinhos de biscoito, tirados daqui do Chocorango. Mas não deu certo rechear os nossos com brigadeiro - que acabamos comendo com colher mesmo! - então ficou só biscoito mesmo. A receita tá lá no Chocorango.

E aquela também foi a fase de fazer pão, só porque minha fada inspiradora Claudia andou postando uma receitade falso brioche, que é dois palito de fazer e fica uma beleza de lindo, e absolutamente delicioso. A receita tá lá no Sabor Saudade...


E já descobri que, no escurão do inverno, fazer fotografias na minha cozinha não é uma boa - as fotos ficam todas amareladas, horríveis.

Mas por enquanto é isso... Esse pobre bloguinho não via atualização há dois meses, então resolvi dar um up nele. Ainda estou trabalhando na série "Aprenda a fazer .... com os Hareide", mas tá difícil. Estamos planejando construir nosso defumador no chalé este verão, então estamos às voltas com esse projeto... De pouquinho a gente chega lá!


sábado, 12 de dezembro de 2009

Serinakake e flatbrød

Devagar e sempre. A falta de atividade por aqui não significa que meu forno também anda parado. Pelo contrário... Começando pelos biscoitos natalinos serinakake, que eu assei há umas 3 semanas. Segui uma receita de revista de supermercado. Acho que não saíram como deveriam, mas ficaram umas bolachonas gostosas...

150 g de manteiga
250 g de farinha de trigo
2 colheres de sopa de fermento (exagero da receita, usei menos de uma)
2 colheres de sopa de açúcar baunilhado
100 g de açúcar
1 ovo
1 clara
açúcar cristal grosso
amêndoas torradas

Bata o açúcar com o ovo. No processador, misture a manteiga com a farinha, fermento e o açúcar baunilhado. Junte a mistura de farinha ao açúcar com ovo. Misture rapidamente até a massa ficar uniforme e maleável. A receita original pede saco de confeitar - o que eu não tenho, então fiz bolinhas e achatei. Então você deve fazer uma marquinha com um garfo no meio do biscoito, pincelar com a clara, salpicar com açúcar cristal e amêndoas picadas e assar até que estejam levemente dourados.

Pois bem, vejam meu resultado comparado com a fota da revista...




Não sei se ficaram o perfeito biscoito natalino, mas com café estavam de matar!

E Dona Claudia, mesmo correndo, de vez em quando publica umas coisas no blog dela que não dá pra não querer reproduzir, pois só falta sentirmos o cheiro... Então fiz uma torta estilo cheesecake, de queijo cremoso com o doce de leite Hapå. De chorar... A original no Sabor Saudade. E durante a semana, vai dando vontade de comer doce, a gente vai fazendo...

Ainda no espírito natalino, quinta feira fui à casa da sogra, pra fazer, com ela e Sylvia (a esposa do cunhado) o famoso e tradicional flatbrød... Sylvia trouxe a massa (que leva leite, farinha integral, xarope de glucose entre outras coisas) pronta. Então foi só abrir e assar num aparelho especial...

Começa com uma pelotinha, e com um rolo normal, você vai abrindo, abrindo, depois com um rolo especial, abrindo mais, até que esteja fina como um tecido. Daí é colocar na chapa elétrica...





Depois de uma hora e meia abrindo massa, tive que ir trabalhar. Dia seguinte amanheci com dor nos músculos do abdômen e dos antebraços, pelo esforço! Deu até vontade de abrir uma fábrica... Pra manter a forma...

E hoje, bolinhos de chocolate com laranja... Pra ajudar na recuperação da ressaca! Sem foto, pois foram devorados...




terça-feira, 17 de novembro de 2009

Série Faça Você Mesmo - Aprenda a fazer linguiça com Lars e Camila Hareide

Pois é, o blog estava paradinho. Mas isso não significa que não andei aprontando na cozinha. Aprontei, mas não contei. Agora foi necessário contar, porque, apesar de toda a preparação ter sido hilária, ela é de certa forma de utilidade pública.

Pois bem, começou assim... O hotel estava vazio, vazio, então foi um fim-de-semana tranquilo. Sábado de manhã fomos ao mercado comprar tripa (na verdade intestinos) de porco e banha de proco pra tentar fazer linguiça de alce no domingo. Resolvemos fazer uma linguiça mista, de alce e porco, só pra garantir... A gordura é necessária, pois a carne de alce é muito magra. A gordura ajuda no sabor e também na "liga" da linguiça, assim li na minha bíblia do CIA. Compramos também mais temperos, tipo pimenta caiena em pó, pimenta do reino branca, alho japonês (aquele alho que a cabeça toda é um só dentão de alho, sabe?), entre outras cositas.

Chegou o dia, e lá fomos nós, munidos de uma receita (que na verdade foi um apanhado de receitas das quais escolhemos as partes mais interessantes), a máquina de moer carne (e encher linguiça, rsrsrs), e os ingredientes em si:

mais ou menos 2 metros de tripa de porco (poderia ser de carneiro também)
500 g de carne de alce moída
150 g de lombo de porco moído
250 g de gordura de porco salgada e moída
pimenta do reino branca
pimenta caiena em pó
cominho em pó
alecrim seco
um dente de alho
uma cebola pequena
uma pimenta dedo-de-moça
cardamomo em pó

Começamos colocando a tripa no enchedor de linguiça, o que por si já causou muita gargalhada... A tripa vem toda enrugada e embaraçada, e em certos momentos foi necessário soprar pela extremidade oposta do enchedor de linguiça.



Depois fomos moendo a carne, primeiro no moedor com furinhos maiores (temos 3 tamanhos de furinhos).



Uma vez bem moídas as carnes e a gordura, temperamos tudo com os temperos secos (usamos muita pimenta, um tantão de alecrim, um pouquinho de cominho e cardamomo). Deixamos marinando, digamos assim, enquanto passei a cebola, o alho e a dedo-de-moça no processador, pra triturar bem. Depois acrescentamos toda a carne moída e meio copo de água gelada (só porque a receita pedia, acho que serve mesmo pra manter a mistura fria). Optei por fazer uma linguiça mais salsicha que linguiça. Achei que com a massa lisa teria menos chance de dar errado. A próxima tentativa seráuma linguiça mais rústuca e pedaçuda, a lá portuguesa... Enfim, continuemos.

Depois de tudo pronto, montamos a máquina de linguiça no modo encheção de linguiça.

E amarramos a extremidade da tripa com barbante, só para garantir. Cuidado que essa próxima foto ficou estranha...




E assim fomos enchendo uma a uma, parando ao final de cada, amarrando as extremidades com barbante. Algumas arrebentaram, outras ficaram deformadas, mas pra primeira vezes tava de bom tamanho...

Nossa produção rendeu 8 linguiças, que eu planejava preparar na Segunda com arroz, feijão, couve e purê de abóbora que eu também havia comprado no mercado...



Entretanto, lembrei que a nossa linguiça não tinha nenhum tipo de conservantes além do sal - que usamos pouco. Portanto, achamos por bem cozinhar as linguiças para guardá-las até o dia seguinte.

Depois de cozidas, tiveram que ser provadas, obviamente. E não é que deu certo? Ficaram bastante apimentadas e pouco salgadas, mas no geral muito gostosas. E o melhor, feita por nós! Sem nada artificial...


E pra nos dar maior orgulho das nossas linguiças, depois de prepará-las assistimos ao The F Word do Gordon Ramsey. E ele trouxe uma matéria exatamente sobre salsichas inglesas. Veja você mesmo - mesmo não entendendo o inglês, é possível VER o que vai nas malditas salsichas econômicas das grandes redes de supermercados ingleses...



Pois é... Nossa salsicha tinha 25% de gordura, mas ao menos sabíamos disso! E na próxima, dá pra diminuir a quantidade de gordura de porco, com certeza.

Ontem cozinhei um feijão borlotti (quem não tem cão...), fiz purê de abóbora, e refoguei uma espécie de couve norueguesa chamada grønnkål. Seguramente uma prima das couves, gostosa até, mas com o talo muito grosso e fibroso, então tirei o talo e aferventei a bicha por 2 minutos em água salgada e dei banho gelado depois. Só então refoguei com alho, cebola e um tiquinho de bacon magro.



As salsichas/linguiças foram cortadas em rodelinhas, e refogadinhas com cebola. Tudo bem abrasileirado, com farinha de mandioca ao lado! Isso pra mim é comfort food, palavrinha feia inventada pela turma dos foodies - outra palavra que eu odeio - mas que traduz a comidinha de casa, quentinha pra um dia frio, que mata saudades, que nos faz felizes se estamos tristes, ou ainda mais felizes e plenos se já estamos felizes (meu caso no momento!).

O próximo post da Série Faça Você Mesmo vem logo - preciso editar milhares de vídeos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Casadinhos e chipas

Quando bate vontade na gente, é uma coisa muito dura. Ainda mais quando temos vontade de comer coisas feitascom ingredientes que não são facilmente encontrados aqui. Mas vamos por partes...

Primeiro, os casadinhos. A Claudia postou lá no blog dela. Morri de vontade. A última vez que comi um foi numa Brunella do Aeroporto de Guarulhos... Pois bem, segui a receita dela. A massa ficou bela, muito, muito leve. O meu truque pessoal - e de todoconfeiteiro profissional - é icorporar claras em neve sempre, sempre com um batedor de arame. Você mexe ele debaixo pra cima, e as claras vão se misturando aos poucos. E outro segredinho - claras em neve, sempre em duas vezes. Metade primeiro, depois a outra metade. Assim as claras adicionam leveza à massa,ao invés da massa colocar peso nas claras. Minha massinha nem ficou tão líquida, dava pra ouvir as bolhinhas de ar.


Ficaram fofinhos e redondinhos. Por recomendação da Claudia, e por pura preguiça de colocar asbolinhas na assadeira com colher, fiz 20 assim redondinhas, e o resto coloquei numa assadeira retangular forrada com papel manteiga.

Depois de assado... O lado lisinho deixei pra cima, e coloquei o recheio no lado mais crespinho.





Bom, ao recheio. Tinha umas 3 bananas já pretinhas por fora, mais boas por dentro, e fiz um docinho. Como a danada da Claudia tinha publicado um pudim de gianduia e eu fiquei babando, bem de experiência taquei Nugatti no dice de banana. Nugatti é um Nutella mais fajuto que tem aqui. Até que ficou decente. Usei essa mistura pra rechear os redondinhos.





Para os que seriam quadradinhos, na falta de doce de leite usei uma coisa local que é um doce de leite, chamado Hapå. Eu nãosabia que existia, até minha irmã me trazer um doce de leite Aviação, e Lars me contar desse produto depois de provar o Aviação... É um doce de leite com gosto bem caramelado, mas serve ao propósito... É feito com leite condensado, eaí me estalou que tem gosto de lata de leite condensado cozida na panela de pressão...



Resultados finais. Os quadrados não ficaram bonitos, mas foram comidos com pressa mesmo!





E a outra vontade: chipa. Um tipo de pão de queijo originário do Paraguai, mas muitíssimo popular no Mato Grosso do Sul. Qualquer buteco no estado inteiro tem a famigerada Chipa assim como coxinhas ou croquetes. A principal diferença da chipa pro pão de queijo mineiro é que a chipa é feita de polvilho doce, e não azedo. E as chipinhas quentinhas recém-assadas que a gente comia lá no Pantanal, ai que tristeza!

Queria uma receita bem tradicional de chipa, vinda lá do MS mesmo. Acabei pegando uma na TV Record MS... Se mostrou bem tosca... Dona Mir(???) economizou demais, rsrsrs. O que me inspirou mesmo foi a polca paraguaia, ou vaneirão, ou chamamé (sempre confundi) de música de fundo, já que meu CD da Helena Meirelles ficou em Sampa. Eita, sodade do Pantana.



Então, quando fui pesar os ingredientes, descobri que só tinha 190 g de polvilho. Então, taquei 10g de fubá fino. E o queijo, usei um queijo que já vem ralado, chamado pizzaøst, e é como uma mussarela. Pus 180 desse queijo e um pacotinho de 20g de parmesão ralado. Aí vi que não tinha óleo, usei azeite. E o resto, como ela recomenda. É muito simples, porque basta misturar tudo numavasilha, amassar com as mãos mesmo. E a tal massa não dava liga. Uma coisa farinhenta, farofenta. Tiveque por mais um ovo, aí deu jeito. E conselho - um cadinho mais de margarina ou manteiga do que ela aconselha. A minha ficou quase saudável, comparando com um pão de queijo normal, pois tinha azeite e margarina. Ah, e se você está no Brasil, o queijo próprio pra chipa é queijo branco ou meia-cura.

Então, fiz as bolinhas. Na fazenda elas ficavam ovaladinhas, por causa da margarina, elas derretem um pouco no forno. Como a minha tinha pouca gordura, ficou bolinha mesmo.

E cuidado... Dona Mir*** (não entendi se o repórter diz Mirna ou Mirta) manda colocar o forno a 250 graus. Só se for o dela! Depois de 2 minutos eu abaixei o meu pra 200, até abri um pouco a porta, pois eles douraram muito rápido. Ela manda assar por 20 minutos, eu assei por 10 e eles ficaram bem crequentinhos por fora. Saídos do forno, uma dilíça... No dia seguinte, umas pedrinhas. Então, asse em forno menos forte e por mais tempo.

Antes de assar...


Depois de assados...

E no meinho...


E como hoje é aniversário do Bill, companheiro de longa data de Pantanal, bartender poliglota, dedico essas chipas à ele. Um dos melhores alomoços pantaneiros que comi foi na casa dele... Piranha ensopada e puchero. Saudade de você, Bill! Esse post é pra você! Ele é o moço de faixa paraguaia e mão na cintura...